Vivo a era da escassez. Pouco entusiasmo, poucas coisas boas a acontecer, pouca sorte naquilo que procuro, pouca vida a fervilhar dentro de mim.
Navego à vista, com uma eterna (?) perseverança de que
haverá o dia em que tudo sinta de forma diferente. Anseio que me
regresse a gargalhada plena,
as asas de borboleta na barriga, e o
deitar na almofada, à noite, com aquela sensação de que, afinal, vale a
pena e quero continuar para ver o que aí vem.
As palavras, essas,
sobram-me na cabeça e acobardam-se nos dedos quando após não sei quantas
tentativas de as parir acabo por desistir e passar mais outro
dia, meio perdida, e outra noite a contar todas as horas, sem este que sempre foi o meu divã de psiquiatra.
Há alturas assim, em que por mais que se plante, nada floresce. É ir regando, dizem.
